Ampulheta

19.11.2016

Apesar de tantos estudos, teorias e (por quê não?) devaneios sobre o tempo, eu continuo sem nenhuma resposta concreta sobre o que ele é. E provavelmente não sou a única a carregar este sentimento. É interessante perceber como tentamos defini-lo dando ao tempo unidades de medidas e índices que, para mim, não passam de subterfúgios para torná-lo um pouco palpável e assim exercer algum tipo de controle sobre ele. 

 

Uma vez estava comentando com uma colega de um grupo de estudo que, apesar do caminho que fazíamos andando entre a estação do metrô e o local de estudo serem os mesmos na ida e na volta, eu tinha certeza absoluta de que a volta sempre era mais curta do que a ida. Sempre. Até hoje tenho esta sensação. Para mim, é esta a palavra-chave da minha relação com o tempo: sensações. 

 

Não é novidade que quando estamos enfadados ou esperando loucamente o final de semana, a sensação é a de que o tempo parece seguir lentamente, e que, quando estamos nos divertindo, distraídos, a sensação é a de que o tempo voa. Existe uma frase atribuída a Lao Tzu que liga dois grandes males da nossa sociedade à nossa relação com o tempo: "Se você está deprimido você está vivendo no passado. Se você está ansioso você está vivendo no futuro. Se você está em paz você está vivendo no presente." Ou seja, se só existisse o presente viveríamos sempre em paz? 

 

E aquela vontade de voltar no tempo e corrigir algo ou simplesmente experienciar novamente um momento delicioso? Quem nunca quis saber o que irá acontecer com sua vida daqui uns anos, principalmente para saber o quanto tempo lhe resta para aproveitar as sensações da vida? 


Não estou querendo fazer nenhum tipo de provocação. Confesso que adoro colecionar as boas sensações da vida, independentemente de quantas unidades de medida de tempo elas durem. Já com as ruins... Bate aquele comichão, aquela vontade de apertar o fast forward... Mas é pura ilusão de que controlamos alguma coisa. E o tempo nem ai, seguindo em seu próprio compasso, ou melhor, em seu próprio tempo. Talvez no dia que desistirmos de controlá-lo, a gente descubra que o tempo é amigo e que nada acontece no tempo certo, porque na verdade todo tempo, é o tempo certo.

 

 

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