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Estranha gentileza

19.11.2016

 

Esta semana aconteceu um fato que eu gostaria que fosse inusitado, mas não, é um fato até bem comum de acontecer, infelizmente. 

 

Tenho me deparado com situações onde cada vez mais o exercício da gentileza tem causado estranheza às pessoas, inclusive a mim. Parece que vivemos tão preso ao próprio umbigo, tão voltados às nossas necessidades, desejos e pensamentos, que quando alguém é cortês conosco corremos o risco de ficarmos imaginando qual é o interesse da pessoa por trás daquele ato. Já perdi as contas de quantas feições de estranheza presenciei diante de uma cordialidade, estranheza esta compartilhada também por quem estava ao redor. 

 

Vivo me questionando como viemos parar neste ponto, onde a Lei da Vantagem, ou simplesmente, Lei de Gerson, muitas vezes impera, onde o errado é que é o certo e que, em muitas situações, fico constrangida por ser gentil com as pessoas, até porque "bonzinho só se fode". Não é está a crença? Já ouvi explicações históricas, filosóficas, psicológicas etc., mas cansei de pôr a culpa na descrença com políticos, na crise econômica, na TPM, na pessoa que me empurra no transporte público lotado... 

 

Já recebi tanta gentileza de pessoas que nem conhecia, de pessoas nas quais sou grata até hoje. Certa vez, um rapaz que carregava no colo diversas sacolas fez questão de arrumá-las melhor só para liberar um pouco mais de espaço e gentilmente pedir para segurar a minha mochila. Confesso que me surpreendi. 

 

Recentemente, li uma matéria na internet sobre um homem que tirou suas roupas e deu para um morador de rua que passava frio. Fiquei tocada, rapidamente repliquei na minha rede social, mas depois passei o dia refletindo sobre o fato daquele gesto ter se tornado uma notícia. Foi um gesto de solidariedade, de gentileza, acima de tudo, de empatia, mas me parece que não estamos acostumados com estas amabilidades e, talvez por isto, eu tenha me surpreendido com a oferta do rapaz em carregar a minha mochila. 

 

Doar o lugar no ônibus a outra pessoa, não porque ele é um assento especial, mas porque percebemos que a pessoa está precisando mais dele do que nós naquele momento, dedicar alguns minutos para ensinar a um novo colega de trabalho usar o sistema da empresa, chegar atrasado a um compromisso para dar instruções a uma pessoa perdida na rua são gestos sem heroísmos que não merecem nem devem ser notícias. Deveria ser o lugar-comum, o cotidiano, deveria despertar não estranhezas, e sim sorrisos imediatos. 

 

Algumas pessoas podem achar que esta é uma visão ingênua e romantizada, mas não há como negar a delícia que é sentir o calor no peito quando fazemos o bem a alguém. Para mim, além de ser uma forma de retribuir tanta bondade que já recebi durante a minha jornada de vida, a gentileza, seja ela sucedida de estranheza ou de sorrisos, me ilumina, me faz sentir cada vez mais que bonzinho normalmente não se fode.

 

 

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